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Três Milímetros

Quando te conheci tinhas apenas 4 semanas e 3 milímetros. Eu? 1,60 metros, nem penses que vou dizer o peso e 29 anos no cartão do cidadão. A aventura de uma mãe inexperiente a viver a mais avassaladora experiência de todas

Três Milímetros

Quando te conheci tinhas apenas 4 semanas e 3 milímetros. Eu? 1,60 metros, nem penses que vou dizer o peso e 29 anos no cartão do cidadão. A aventura de uma mãe inexperiente a viver a mais avassaladora experiência de todas

Os 3 porquinhos e a avó

Antes de adormeceres contava-te eu a história dos 3 porquinhos... "um dia a mãe dos três porquinhos disse-lhes que eram muito crescidos e tinham de ir viver sozinhos e então eles começaram a construir uma casa... Simão: foram para casa da avó São :-)

(Que é como diz: se te lembrares disso, mamã, tenho sempre a casa da avó)

Solidariedade

Numa esplanada ao fim da tarde o bebé da mesa do lado chora porque quer comer bolachas e não iogurte. A mãe insiste para que coma o iogurte. Simão: o menino tá a choiáie. Qué bolacha. Ai ai ai Sinhora :-)

Transportes e trabalhos

Simão: Mamã vem autocarro

Simão: Avó vem autocarro

Simão: Papá vem carro 'peto' (preto)

 

Simão põe a carteira, pega nos carrinhos preferidos, num saco de asas e diz:

Xau xau, Ximão tabaiar (trabalhar)

Mamã: Para onde vais trabalhar, Simão?

Simão: Pá rua

 

 

Quem chora precisa de mimo

Mudaste de escola há um mês e pouco. 

Hoje foste tu a consolar a C. que chorava a chamar pela mãe. Deste-lhe um abraço e eu fiquei a ver-te da porta. De coração cheio. Por já te sentires em casa e por perceberes que quem chora precisa de mimo. 

Tu, aos quase 2 anos

Nos últimos tempos (dois meses, talvez, não sei se tanto) pedes-me para ficar ao teu lado enquanto adormeces. Facilita termos comprado uma cama de solteiro (Uau, que crescido!) e assim podemos ficar num namoro pegado antes da tua respiração se tornar mais profunda e eu sair pé ante pé (e sem respirar, para que a tua cabecita não se levante e não digas: 'mamã, aqui', para evitar que me escape do quarto e vá tratar das mil coisas que estão à espera). Agora aproveitas aqueles minutinhos antes do sono chegar para uma espécie de revisão da 'matéria dada'. Há dois dias descobriste que banana e maçã são fruta. Ontem dizias, de olhos fechados e mão na minha: 'Banhanha, futa! Maçã, futa!' Ou começas a cantar a música do sapo jururu que adoras. 'Sapo, juúú'. Ou ainda: 'amanhã, Ximão, popós'. Adoras carros. Dizes carro, autocarro, camião, carrinha, taxi, tuc-tuc e gritas num entusiasmo só quando vês um autocarro "amaielo" a passar na rua. 'Mamã, autocarro', 'Mamã, amaielo'. E também dizes 'salta, mamã'. E 'anda, mamã'. E 'apeta mamã' quando os sapatos estão desapertados. E 'hum' quando a comida te agrada. Continuas a não gostar de batatas. Adoras peixe assado ou grelhado, cozido nem vê-lo. Repetes tudo o que dizemos. Dás abraços bons quando nos vês chegar depois de um dia fora. Apertas-me as bochechas quando tens muitas saudades e me queres dizer que passámos demasiado tempo longe um do outro. Fazes-me miminhos na cabeça antes de adormecer. Adoras cócegas e ris-te à gargalhada. Trepas a tudo, corres pela casa, dás-me a mão para eu ir contigo para onde queres. 'Mamã, lá fóia' quando queres ir à varanda. Não se pode falar de aniversários que exclamas sorridente: 'Bolo'. Não tarda fazes dois anos, meu amor. E faz dois anos que conheci este amor que nos salta do peito desassossegado mas quente como um pijama polar vestido depois de uma chuvada. 

Não subestimem as mães

Não subestimem as mães. Essas pessoas que saem do trabalho às 16h depois de uma jornada intensiva para deixar feito o mesmo que outros Fazem no dobro do tempo. As mães não fazem pausas demoradas para almoço nem se perdem em conversa, cigarros ou café porque têm que sair à hora. E mesmo assim enfrentam olhares de reprovação por saírem às 16h, por muito que a lei diga que existe uma licença para amamentação. Por muito que tenham trabalhado tanto ou mais que os outros. As mães saem às 16h e se correrem bem apanham o metro das 16:15, se estiverem de saltos altos não chegam a tempo por mais que corram. Por isso as mães também arrumam tantas vezes os saltos embora não prescindam de uma base para disfarçar as olheiras de acordar às 6 e meia da manhã com dois olhitos atentos e dois bracitos esticados a pedir colo. Dois olhitos e dois bracitos que só adormeceram uma hora depois, precisamente à hora a que tinham que acordar. As mães apanham o metro mas antes molham-se com a chuva e conseguem em dois minutos e meio ir a casa, beber um iogurte e tomar um duche quente para não ficarem doentes porque as mães não podem ficar doentes. E depois do iogurte e do duche correm para a escola da cria 17 minutos antes da hora marcada mas ainda assim com sentimentos de culpa de não terem conseguido chegar antes. As mães querem tanto chegar a casa para brincar com o bebé que na pressa se esquecem de tirar os pezinhos de plástico verdes com que se tem que andar na sala da creche e chegam a casa nessa linda figura depois de se terem cruzado com mil outras mães que também elas apressadas ou com sentimentos de culpa das horas não viram nem repararam por isso não avisaram. As mães também adormecem com uma mão e escrevem este texto com a outra porque às vezes, não sempre, têm necessidade de contar ao mundo que não deve subestimar as mães. Essas pessoas que se esforçam todos os dias por serem melhores e que podem estar tão cansadas que adormeçam em cima do jantar mas não tão cansadas que não esbocem um sorriso às seis e meia da manhã quando dois olhitos atentos e dois bracitos esticados pedem colo.

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